Daniel Furlan (ÓCIO) e a última entrevista do mundo

Com show de despedida agendado para esta sexta-feira (30), Daniel Furlan abre o jogo sobre a decisão por trás do término do ÓCIO

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Foto de capa: Diego Brotas.
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Nesta sexta-feira (30), a banda ÓCIO vem ao Liverpub Vitória para aquele que será o seu último show em terras capixabas. Acompanhados pelos mineiros do Fodastic Brenfers, Daniel Furlan (voz e guitarra), Rodrigo Larica (baixo) e Patrick Preato (bateria) encerram as atividades de seu grupo após mais de uma década produzindo juntos.

Fundada em 1999, a banda alcançou sua formação atual e definitiva alguns anos mais tarde, imortalizando-a com o lançamento do disco Mood Swings, em 2006. Neste mesmo ano, o trio resolveu dar uma guinada em sua carreira e mudou-se para Londres, onde permaneceu até 2010, quando retornou ao Brasil com o álbum Guilty Beat.

Afastado dos palcos devido às demais atividades de seus integrantes, recentemente o ÓCIO ensaiou um retorno aos holofotes com o lançamento de um single e um videoclipe. Apesar disso, a banda nos pegou de surpresa quando anunciou que encerraria suas atividades com um derradeiro show em Vitória e talvez outras datas de despedida em outras cidades.

Confira abaixo nossa entrevista com Daniel Furlan sobre a trajetória da banda e seu inevitável fim.

João Depoli: Em 2016 vocês gravaram um single e há pouco divulgaram um clipe para uma de suas músicas, “Pump Up The Jam”. Tendo em vista que estes últimos lançamentos mais pareciam estar criando uma certa antecipação para um novo capítulo (que não fosse o último), qual a motivação por trás da decisão de encerrar as atividades do ÓCIO?

Daniel Furlan: A motivação de encerrar foi que não havia mais motivação das partes pra dar sequência à banda. E, nesse estado de espírito, ficou impossível aproveitar o pouco tempo disponível pra nos dedicarmos pra produzir algo minimamente legal.

É muito comum que muitos grupos se apoiem em turnês comemorativas e em eventos semelhantes, mesmo que essas bandas estejam essencialmente paradas devido às outras atividades de seus integrantes. Visto que em 2019 a sua banda completaria 13 anos com a formação atual e 20 anos de existência — o que já lhes garante um certo respaldo no circuito nacional —, um “hiato” não seria mais apropriado ao invés de um término (além de ser uma das poucas oportunidades para se usar esta palavra)?

Realmente é uma grande tentação fazer um hiato só pela oportunidade de usar essa palavra tão interessante. Mas, justamente por estarmos nessa há tanto tempo, acho que chegou a hora de dar lugar nos nossos dias pra novas ideias. Tudo morre e pelo menos pra mim foi muito claro a banda morrendo nesses últimos dois anos. Mas, pior que a morte, seria a gente ficar se juntando pra tocar as mesmas músicas nos mesmos lugares. Se não for pra produzir, melhor parar.

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Desde que a banda foi criada, vocês passaram por algumas formações, lançaram discos, singles, clipes, fizeram inúmeros shows e até mesmo passaram alguns anos fora do país. Existe algum outro marco que vocês gostariam de ter alcançado com o trabalho de vocês? Você se considera satisfeito?

Gostaria que a gente tivesse lançado mais coisa e alcançado mais gente. Muito longe de ficar satisfeito, mas gosto de várias coisas que a gente fez.

Voltando à época em que vocês viveram no Reino Unido e olhando de uma nova perspectiva, como foi a sua estadia por lá? O quão diferente você acha que teria sido a trajetória da banda caso vocês tivessem optado por continuar em Londres?

Viver lá foi ótimo nos primeiros anos, enquanto estávamos crescendo, tocando em lugares melhores e novos, mas depois começamos a estagnar e, de forma independente, não parecíamos estar indo a nenhum lugar mais.

Em todos esses anos, o que você acredita que o ÓCIO tenha acrescentado à sua vida?

Perrengue, exploração, desilusão, angústia. Acho que acrescentou isso aí.

Embora vocês tenham deixado claro que podem eventualmente fazer outros shows de despedida pelo Brasil, qual a sensação de tocar pela última vez em Vitória?

Acho que estamos bem resolvidos com isso, mas vai ter uma pontada de tristeza, com certeza. A gente botou muito nessas músicas e gosta muito de tocar junto. Ainda não sabemos exatamente qual o repertório, vamos sentir nos ensaios, mas o show vai ser gravado e vamos aproveitar pra tocar duas novas: “But The Hunger” e um arranjo novo pra “Acid Tongue/Bitter Lips”.

E qual o legado você acredita ter deixado para os seus conterrâneos do Espírito Santo?

Não sei se tem legado, mas ficaria honrado se inspirasse algumas bandas de alguma forma.

Você ainda consegue acompanhar o que é produzido por aqui?

Tenho acompanhado muito pouco, até porque tenho a impressão de que toca-se e grava-se menos hoje em dia. Mas estou de longe, não tenho certeza. Acho o My Magical Glowing Lens legal.

Sendo uma pessoa constantemente cercada por atividades criativas, será que existe a possibilidade de um novo projeto musical emergir deste término?

Sempre tem esse perigo, infelizmente!

Texto: João Depoli; Foto de capa: Diego Brotas.

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