Amanita Flying Machine evoca os deuses do rock em homônimo EP de estreia

Henrique Mattiuzzi, Pedro Heyerdahl e Leandro Loss unem rock, blues e jazz no primeiro lançamento da Amanita Flying Machine

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Foto de capa: Thayná Gomes/Divulgação.
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“Porque o nunca é uma eternidade,” vocifera o vocalista e guitarrista Henrique Mattiuzzi na derradeira “Walden”, faixa que encerra o EP homônimo de estreia da Amanita Flying Machine—banda que divide com o baterista Pedro Heyerdahl e o baixista Leandro Loss. Lançado neste sábado (07), após uma temporada no Estúdio Circumano, o registro conta com pouco mais de quinze minutos distribuídos em quatro canções autorais que não poderiam melhor resumir a atmosfera da semana mundial do rock.

“Lançamos! Está disponível para apreciação o primeiro EP da Amanita Flying Machine. Ouçam à vontade! Toquem pelo mundo! Emocionante poder colocar uma obra musical para a história da Arte,” publicou a banda em suas redes sociais pouco antes do show de lançamento na Cervejaria Espírito Santo, em Vitória. “Gratidão a todos que participaram dessa história, que nos moveram e incentivaram. Sem o apoio dos nossos fãs não estaríamos onde estamos. Valeu Galera! Estamos cristalizando um espaço tempo no universo musical. Canções do coração! Que seja eterno enquanto toque.”

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Capa do EP de estreia da banda (arte por Léo Dalla).

Em processo de composição desde 2015, as quatro faixas que dão vida ao EP exprimem muito bem suas influências, notavelmente pautadas na psicodelia dos anos 60, sobretudo nos gigantes Jimi Hendrix e Frank Zappa—como você esperaria de um guitarrista do calibre de Mattiuzzi, que faz tudo que toca parecer tanto incrivelmente simples quanto assustadoramente impossível de ser replicado.

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Com elementos do universo do rock, blues e jazz, o registro começa com “Putiri”—sim, como o nome daquela praia em Aracruz. “If you see him, please don’t say hello,” suplica Mattiuzzi nos refrões ao cantar a respeito de um mala que é melhor que seja ignorado. Apesar de todo o groove do trio e também da presença de Pedro Fernandes nos órgãos, talvez o trecho mais gracioso de “Putiri” seja o solo com efeito de tremolo que a encerra. Como não se derreter por ele? Um toque tão sutil, mas que dá uma nova dimensão à canção.

O disco então segue com “Free Like Water”, uma música que logo de cara remete o ouvinte ao universo fantástico dos riffs de Hendrix—meio que numa vibe a la “Foxy Lady”. “Feel your body coming close to mine,” anuncia o vocalista em tom de sedução ao garantir que é livre como a água que flui numa cachoeira. A atmosfera sensual da canção fica ainda mais ostensiva com a reprise do órgão de Fernandes.

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Loss (esq.), Mattiuzzi e Heyerdahl (Thayná Gomes).

Adiante, o EP muda sua atmosfera ao entrar em seu Lado B com “Age Of The Edge”, aquela típica trilha sonora pós-apocalíptica para se vender a alma numa encruzilhada deserta na calada da noite, quando se chega ao “fim da linha”. “What you gonna do when it comes your way?” questiona Henrique num tom aterrorizante enquanto Heyerdahl e Loss criam toda uma tensão por trás de um daqueles inquietantes arranjos de jazz.

Em seguida, a jornada chega ao fim com “Walden”, que dá uma nova dinâmica à atmosfera de aflição muito bem moldada por “Age Of The Edge”. “What is life or death to me? It doesn’t matter!” As palavras proferidas por Mattiuzzi soam como se estivéssemos recebendo uma confissão da própria morte antes de sermos aniquilados sem misericórdia. Todo o swing e o groove diabólico dessa canção só fazem você querer estar ao lado de mais uma centena de pessoas pulando ao som da Amanita Flying Machine enquanto o mundo se acaba.

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Se eu tivesse que resumir este lançamento numa frase, definitivamente seria: “a fúria da Stratocaster que rasgou o coração do diabo e o jogou aos cães do inferno”. Tire suas próprias conclusões:

Com o EP em mãos, o power trio agora embarca numa turnê que passará por várias cidades do Espírito Santo e Minas Gerais. Com o intuito de lançar um álbum em 2019, a promessa desses shows é apresentar o conteúdo do disco e também algumas inéditas. Confira as datas e programe-se:

  • 12 de julho – Garagem Vitória, Vitória/ES;
  • 21 de julho – Restaurante Portal Caparaó, Divino Espírito Santo/ES;
  • 25 de julho – Motor Rockers, Vitória/ES;
  • 27 de julho – Garagem Vitória, Vitória/ES;
  • 03 de agosto – Cerveja na Praça, Muqui/ES;
  • 09 de agosto – Motor Rockers, Vitória/ES;
  • 11 de agosto – Bar do Mãozinha, Vitória/ES;
  • 25 de agosto – Espera Feliz/MG;
  • 02 de setembro – Encontro de Carros Antigos, João Neiva/ES;
  • 07 de setembro – Red Rock Music Pub, Santa Teresa/ES.

Texto: João Depoli; Foto de capa: Thayná Gomes/Divulgação.

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