André Prando é o grande vencedor da segunda edição de festival da Vitória Harley-Davidson

Vitória Rock Festival encerra sua última etapa com quatro showzaços da categoria Original Band

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André Prando e sua banda em seu prêmio (Crédito: Ciro Trigo).
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Depois de três seletivas que se estenderam por boa parte do ano, a tão esperada final da segunda edição do Vitória Rock Festival finalmente aconteceu na noite de sexta-feira (30). Capitaneada pela loja de motocicletas Vitória Harley-Davidson, a última fase do evento coroou o cantor e compositor André Prando como seu grande vencedor e também o novo dono de uma moto Iron 883 zerada.

“Vencemos o Festival. Não faço nem ideia de como liga esse trem, mas o iririu-móvel é só amô. Valeeeeeeeeeeu Vitória Harley-Davidson”, agradeceu André em suas redes sociais, recebendo inclusive um comentário da própria organizadora em sua publicação: “Esperamos que o prêmio ajude a fazer voar cada vez mais a cena autoral Capixaba”. Além de seu show, cabe lembrar que a final também contou com incríveis e impecáveis apresentações das bandas Like a Boss Blues and Rock, Big Bat Blues Band e Rising Bones. “Máximo respeito à todas as bandas participantes! Vida longa [à] música”, disse o vencedor.

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Classificada na segunda etapa do evento, ainda no final de junho, a Like a Boss abriu os trabalhos no palco principal da Arena Shopping Vitória, entregando em sua performance um blues com pegada mais técnica e focada em seus arranjos. No entanto, devido a alguns problemas técnicos, o vocalista Felipe Azevedo acabou ficando sem a sua guitarra e, após uma canção focado apenas no microfone, preferiu encerrar seu repertório um pouco antes da hora — o que foi uma pena, visto que os contratempos na verdade aparentaram deixar o músico ainda mais próximo de seu público.

Em seguida, ainda no início da noite, o segundo show foi o de André, classificado em setembro, na terceira seletiva do festival. Em seu set, músicas ricas em arranjos, riffs e invejáveis harmonias vocais vindas diretas de seu segundo e mais novo disco, o recém lançado Voador (2018), complementaram a introspecção e melodia das canções de seu primeiro álbum, Estranho Sutil (2015). Sua apresentação foi marcada por momentos explosivos de pura agitação, correria e solos de guitarra, assim como trechos melancólicos e tocantes. Deu tempo até mesmo de encaixar um Belchior à capela em “Como o Diabo Gosta”: “Sempre desobedecer/Nunca reverenciar”.

Já noite adentro, na sequência foi a vez dos veteranos da Big Bat Blues Band subirem ao palco e mostrarem mais uma vez do que são feitos. Classificada na primeira etapa do festival, lá em abril, a banda fez um show belíssimo, divertido, leve e cheio de história. Não faltou carisma por parte de todos os seus músicos, que exibiram protagonismo tanto em suas performances individuais quanto em conjunto, evidenciando que realmente já detêm o crivo mais importante que poderiam almejar: o do tempo! O destaque vai para todos, é claro, mas sobretudo para a incrível sintonia da dupla de vocais formada por Eugênio Goulart e Larissa Pacheco. Simplesmente fenomenal, como sempre!

Por fim, o show que fechou o concurso foi o da Rising Bones, que apareceu na segunda seletiva do evento para substituir a banda Frenesia, acabou desclassificada e depois viu uma nova chance ao voltar à corrida numa repescagem. Já tarde da noite e com a casa cheia, eles tinham a total atenção do público. Com sangue nos olhos, fizeram um show extremamente energético e envolvente com as músicas de seu disco de estreia, Upside Down (2018), além de uma inédita, “Mr. Rock”. Muita agitação, potência, interlúdios orquestrados e entrosamento. Mostraram segurança no que apresentaram e deram um belo fim ao evento. Uma digna headliner.

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Enquanto a final do ano passado trouxe apenas bandas das vertentes mais pesadas do rock, coroando as autorais The Muddy Brothers e The Devils (respectivamente em primeiro e segundo lugar), desta vez as finalistas apresentaram sonoridades mais diversas dentro do universo do rock. Transitaram por suas raízes no blues, passaram pela psicodelia contemporânea e chegaram ao seu espectro mais pesado, mostrando uma nítida evolução na proposta do festival. Na verdade, só o fato de bandas autorais e covers terem sido divididas em concursos separados já é um avanço louvável e uma vitória tremenda.

Em todo o caso, qualquer uma das bandas poderia facilmente sair como a campeã deste concurso. No entanto, eles só tinham uma motocicleta para entregar. Então, dentro de uma amostra tão versátil que exibiu shows incrível e igualmente emblemáticos, o artista que mostrou dispor de um conteúdo musical julgado como aquele que melhor faria justiça ao título de Original Band foi o André Prando, ficando a Rising Bones com a segunda colocação e a Big Bat Blues Band em terceiro lugar.

Claro que ganhar uma moto ajuda, mas definitivamente este nunca foi e nunca será um fator determinante para o sucesso de ninguém. Todas essas bandas têm futuros brilhantes pela frente se continuarem fazendo o excelente trabalho que mostraram em seus repertórios. Estaremos de olho em seus próximos passos e também vamos esperar para ver qual será o conjunto de artistas que nos aguarda na terceira edição deste evento em 2019!

Texto: João Depoli; Foto de capa: Ciro Trigo.

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