Leia a mensagem de Rodrigo Lima (Dead Fish) ao Hangar 110

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Foto: Reprodução/Youtube.
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Embora seja notória a sua aversão ao uso de redes sociais para mandar recados, Rodrigo Lima (Dead Fish) recorreu ao perfil oficial da banda neste domingo (24) para mandar uma mensagem especial ao Hangar 110, que encerrou suas atividades ontem:

O Hangar 110 não está acabando, independente de eu também ser uma viúva tristíssima nesse momento, as sementes que eles plantaram em quase duas décadas deu e dará frutos por muito tempo ainda, mesmo nós sendo um país desmiolado e bundão e sem memória. Por que é assim a ética, o modus operandi do punk/hc, foi isto que aprendi com os zines, foi isso que aprendi nas letras dos Kennedys, foi isso que aprendi da cena de onde vim no ES, e foi isso que pratiquei tocando no Hangar 110 por mais de uma década. Não te devemos nada! Seguiremos criando menos expectativa e fazendo mais do que todos vocês em suas vidas mediocremente planejadas. Muito obrigado Hangar 110! Longa vida Hangar 110, você está em nosso DNA. Rodrigo Lima.

Hangar 110

Fundado em 1998 na cidade de São Paulo, o Hangar 110 tornou-se um dos mais importantes redutos de shows alternativos do país. Foi o palco de inúmeras performances nacionais e internacionais, virou o cenário de uma geração e um local que sempre será lembrado por carinho por todos aqueles que o frequentaram. Seu ideal sempre foi claro e preciso e perdurou até o fim: “abrir espaço para o cenário alternativo e underground brasileiro.

Em Outubro de 2016, seu proprietário, Marco Alemão, infelizmente anunciou que 2017 seria a última temporada do Hangar. “Quando abrimos o Hangar, éramos únicos. A gente viu que tinha uma relevância na cena alternativa. Hoje a coisa está difícil e infelizmente a internet tem atrapalhado um pouco. Não há perspectiva de melhora. A garotada não quer mais vir aos shows para curtir um som, conhecer gente e falar sobre música. Eles querem, na verdade, é ouvir tudo pela internet. Isso vale para as bandas também. Tem muito grupo que não se preocupa com a sonoridade produzida, mas só com a fama. Eles contabilizam o número de curtidas no Facebook. Querem ser famosos acima de qualquer coisa,” disse em entrevista ao Estadão.

Sua última atração foi o CPM 22, que encerrou as atividades da casa ontem (23). As últimas apresentações do Dead Fish no local ocorreram nos dias 18 e 21 deste mês.


Texto: João Depoli; Foto de capa: Reprodução/Youtube.