Depois de lançar o single “Pedaço de Mim”, cantor e compositor radicado em São Paulo volta com seu terceiro disco, sucessor de Nas Estâncias de Dzyan (2016)

De Ecoporanga para Vitória e o Solana, e de Vitória para São Paulo numa carreira solo. Numa casca de noz, essa é a trajetória do cantor e compositor Juliano Gauche, que hoje lança Afastamento, seu terceiro álbum. “Sempre encarei minha vida em Vitória como uma espécie de estágio. Agora me sinto exatamente onde gostaria de estar,” disse o músico em 2013, ao lançar seu primeiro trabalho solo.

Cinco anos mais tarde e agora radicado na capital paulista, o músico está em casa. Entretanto, seu novo disco não fala de conforto. Na verdade, ele remete a uma sensação de fuga ou abandono — como fizeram os icônicos poetas franceses Arthur Rimbaud e Marcel Duchamp. Em Afastamento, Gauche traz esse sentimento logo na abertura, com “Silmar Saraiva”, a primeira e mais longa faixa do álbum, que discute um antigo visionário de sua cidade natal (“Silmar Saraiva tentou ser um santo depois de se machucar”).

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Com ênfase na criação de uma atmosfera fantasmagórica e nebulosa na qual Juliano pode declamar suas letras, o disco segue com camadas relativamente simples e desapegadas de baixo e bateria, que por vezes são oportunamente complementadas por novas linhas de guitarras e teclados. “Não gosto mais da bateria convencional do rock, aquela bateria que faz virada, que tenta acompanhar os instrumentos,” entrega Gauche sobre seu afastamento dos padrões de composição nos quais se apoiava.

Acompanhado por sua banda, Daniel Lima (baixo), Gustavo Souza (bateria e percussão), João Leão (teclado) e Kaneo Ramos (guitarra), o disco também segue repleto de participações especiais: Daniel Viana, Dustan Gallas, Edson Van Gogh, Felipe Crocco e Fernando Catatau (que também produziu o álbum com Gauche). Realizado com o suporte do Edital de Apoio à Criação Artística – Linguagem Música da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Afastamento foi gravado no estúdio EAEO Records por Felipe Crocco e João Noronha.

De suas oito faixas, nossos destaques ficam com a dançante “Tem Dia Que É Demais”, composta em parceria com Gustavo Macacko; a linda e melancólica “Dos Dois”; e “Longe, Enfim”, que embora tenha uma das menores letras do disco, possui um dos arranjos mais instigantes, com um surpreendente solo em seu minuto final.

Escute:

Texto: João Depoli; Foto de capa: Haroldo Saboia/Divulgação.

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