12 lançamentos que marcaram a música capixaba em 2017

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Foto: Open Spotify e Reprodução/Youtube.
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Apesar de tudo o que aconteceu de errado no ano passado, 2017 nos deixou ótimas lembranças no espectro musical. Para não esquecermos disto, preparamos uma lista com doze lançamentos feitos por artistas independentes do Espírito Santo que merecem ser escutados a fundo por qualquer um — seja você um amante fervoroso de música ou um tímido simpatizante!

Confira abaixo a nossa seleção.

1. GAVI, A Conta-Gotas

GAVI é o nome artístico de Gabriela Viguini, natural de Cachoeiro do Itapemirim/ES. Seu contato com a música veio logo cedo, porém foi apenas em 2015, após terminar a faculdade de Direito, que começou a se entregar de vez à causa. Começou publicando alguns vídeos no YouTube de releituras de artistas internacionais e sua transição para os palcos aconteceu em 2016, quando fez um show para mais de trezentas pessoas no Jurema Beach em Vitória.

Em 2017, GAVI deu início à gravação de seu primeiro EP na cidade de São Paulo. Com produção de Viktor Lombardi e Júnior Carelli, o registro conta com três canções autorais — “Meu Bem”, “RE:” e “Chico Já Dizia” — que viajam pelo universo do R&B, black music e pop. Com muito groove e sensualidade, A Conta-Gotas foi lançado em Setembro de 2017 e já despertou a atenção de muita gente por aí.

2. Primavera Estatal, Primavera Estatal

Fundada em Vitória no ano de 2015, a Primavera Estatal é uma banda formada por Vinícius De Nadai (voz e guitarra), Aulus Leonardelli (baixo), Tiago Vieira (bateria) e Gustavo Lacerda (guitarra). Após lançar algumas versões incipientes de suas músicas no YouTube ao longo dos anos, o grupo (agora mais maduro e preparado) compartilhou em meados de 2017 o webclip de “Saudade” — canção que marcou o início de uma nova fase da banda.

Pouco tempo depois, no dia 23 de Dezembro de 2017, a banda fez o lançamento de seu EP de estreia, intitulado Primavera Estatal. Com quatro canções pautadas predominantemente no pop rock — “Felix”, “Telescópio”, “Mendorato” e “Garota Elétrica” —, o EP foi o fruto de um esforço exclusivo da banda. Seus integrantes foram os únicos envolvidos e, consequentemente, responsáveis por todas as suas fases, desde a concepção e produção à gravação e distribuição.

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3. Haren, Dolinha EP

Formada por Caio Paranaguá (voz e baixo), Guilherme de Oliveira (guitarra) e Mauro Filho (bateria), a HAREN surgiu em meados de 2016 na capital. Com uma sonoridade voltada ao pop punk e ska, o trio não perdeu tempo e logo lançou o Dolinha EP em Setembro de 2017.

Com pouco mais de doze minutos de duração, o EP de estreia da banda conta com as músicas “Irmão da Minha Namorada”, “Querida 2”, “Amanhã Tem Show”, “Seu Juscelino” e “Não Me Chame Pra Ver Filme Se Não Quiser Ver o Filme”. As cinco canções remetem o ouvinte ao outrora gigantesco pop punk escrachado e despretensioso que reinou na Califórnia na primeira década do Século XXI — tanto em termos instrumentais quanto líricos.

4. The Truckers, Siga Bem Caminhoneira

The Truckers é uma banda de Vila Velha pautada no movimento riot grrrl. Composta por Lara Lorenzoni (guitarra e voz), Luana Soares (baixo e voz) e Mylena Kobi (bateria), iniciou em Julho de 2017 uma campanha de crowdfunding para arrecadar fundos para a gravação de seu EP. Com a meta de R$1.200 alcançada, o trio pôde então recorrer ao Comanche Recording Company para iniciar as gravações daquilo que se tornaria Siga Bem Caminhoneira.

Dedicado à memória de Poliana Pimentel de Oliveira (ativista do feminismo e da causa LGBT que infelizmente faleceu num acidente de carro em 2016), seu EP de estreia saiu em Outubro de 2017. Suas músicas, “Primeiramente: fora, Temer!”, “Bela, Recatada e do Lar”, “Esquerdomacho de Bosta”, “Misandria com Alegria” e “Irmandade”, exibem traços de algumas das facetas mais recentes do punk rock, sobretudo do punk/hardcore dos anos 90 e do pop punk da virada do milênio. Como o próprio nome das canções escancara muito bem, suas letras tratam de temas políticos, empoderamento feminino e liberdade.

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5. Merda, Descarga Adrenérgica

O Conjunto de Música Jovem Merda, ou simplesmente Merda, é um trio vila-velhense formado por Fabio Mozine (voz e guitarra), Alex Vieira (voz e bateria) e Rogério “Japonês” Araújo (voz e baixo). Fundado no final da década de 90, o grupo já tocou na América do Sul, Estados Unidos, Europa e Japão, assim como lançou diversos CDs, EPs, DVDs, LPs, K7s e até mesmo livros! Segundo Mozine, o Merda é para aquelas pessoas com “algum tipo de probleminha psicológico leve”.

Seu mais recente lançamento foi o sarcástico e ácido Descarga Adrenérgica, que saiu em Abril de 2017. Com vinte e duas músicas debochadamente podres e cômicas (com talvez o mais esculachado conjunto de títulos que algum dia já se viu), o disco foi produzido por Rafael Ramos e gravado no Estúdio Tambor, no Rio de Janeiro. Dentre as participações especiais estão Paulista (Mukeka di Rato), na confessional “Velho, Bobo, Bêbado e Tatuado”, Sandro Juliatti (Mukeka di Rato), na satiricamente diabólica “O Diabo Está Sempre ao Meu lado” e Rodrigo Lima (Dead Fish), no melancólico e divertido choro de “Virou Coxinha”.

6. Dan Abranches, Ruby

Natural de Cachoeiro de Itapemirim/ES, Dan Abranches começou a tocar violão aos 13 anos de idade. Sua primeira apresentação veio logo no ano seguinte, no palco do Theatro Carlos Gomes, como parte de um evento organizado pela escola onde fazia aulas de canto. Em 2008, aos 15 anos, tornou-se a vocalista da banda de rock Olgah, com a qual chegou a gravar um EP e a abrir os shows das bandas Fresno e Strike. Dois anos mais tarde, Abranches formou a banda Surbelle, cujas canções do EP de estreia, Depart, levaram o grupo ao topo do MySpace.

Alguns anos mais tarde, longe destes projetos, a cantora resolveu apostar em releituras acústicas e recorreu ao YouTube para publicar suas performances. Como resultado desta investida, Abranches pôde amadurecer suas composições numa sonoridade mais leve e pautada no soul e R&B, embora não tenha deixado de lado todo o sentimento e a ardência de sua estadia no rock. Lançou então o atrativamente misterioso e encorpado EP Ruby no dia 9 de Novembro de 2017. O registro apresentou as faixas “Gold”, “Ruby”, “Ágata” e “Pump”, que criaram a atmosfera perfeita para a cantora poder finalmente soltar de vez todo o seu vozeirão majestoso.

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7. My Magical Glowing Lens, Cosmos

My Magical Glowing Lens surgiu no início desta década como um projeto da vocalista, guitarrista, compositora, produtora e filósofa colatinense Gabriela Deptulski. Inspirada em grandes nomes do universo psicodélico, lançou seu EP de estreia há três anos e o primeiro álbum, Cosmos, veio em Maio de 2017 numa parceria entre os selos Subtrópico, Honey Bomb Records e PWR Records.

Tudo o que foi produzido para este álbum veio de visões, sonhos [e] sensações sobre outras dimensões,” disse Gabriela à Rolling Stone. “Acho que ele tem a ver com ocultismo, magia e com outras realidades que precisamos de um sentido diferente pra perceber.Cosmos é exatamente tudo isso e mais: uma abdução psicodélica que testará todas as suas sinapses auditivas com uma infinidade de sondas e outras ferramentas sonoras singulares e futurísticas. Após ser devolvido à Terra, você não terá outra escolha a não ser rezar para que novos contatos imediatos não demorem a acontecer!

8. Major Cético, Loira Brasil

Composta pelos gêmeos Ramon (voz e guitarra) e Roger Rigoni (voz e baixo), Major Cético é uma banda de rock de Vila Velha fundada em 2015. Sob a produção de Eliah Oliver, a dupla lançou o seu álbum de estreia, Loira Brasil, em Maio de 2017.

O disco apresenta nove faixas autorais que passeiam por toda a autenticidade e sensualidade do rock nacional de outrora. Além disso, o álbum conta com um elemento curiosa e desafiadoramente inovador, que é o fato das músicas serem cantadas por gêmeos idênticos que parecem ter saído de uma máquina do tempo construída entre as décadas de 60 e 70. Como se não bastasse, o grupo ainda preparou um intenso videoclipe de divulgação da canção “É Só Você Querer”, com a participação da incrível dançarina Sara Coutinho, que forneceu uma nítida noção visual do clima que Loira Brasil projeta sobre os seus ouvintes.

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9. Auri, Resiliência

Após uma temporada no universo do rock japonês, o vocalista e guitarrista Everton Radaell e o baterista Bruno “Kanela” Miranda se juntaram a Thaysa Pizzolato (teclado e sintetizador), Danilo Galdino (guitarra) e Gabriel Hand (baixo) para formar um projeto que se tornou a banda Auri. Sua proposta foi compor canções autorais que fizessem uma mistura inusitada de rock, pop, progressivo, indie, R&B, funk, samba e MPB — estilos que aparentemente não têm muito o que dizer um ao outro, exceto quando se trata da Auri, visto que em suas músicas eles raramente se calam!

Pouco depois do lançamento do single “Futuro”, em 2016, a banda se viu pronta para lançar o seu disco de estreia no dia 19 de Outubro de 2017. Apropriadamente nomeado Resiliência, o registro conta com as canções “Homem de Lata”, “Lar”, “Cais”, “Sonhador de Pé Inchado” e “Manhã”, que trilham uma infinidade de estilos musicais justapostos  indicando que a banda conseguiu dar um ar acessivelmente pop ao seu Frankenstein. “Todos os membros — na época em que a gente estava gravando — estavam passando por uma merda, sacou? Então, a Auri foi meio que aquela boia no meio da água turbulenta que [nos] ajudou,” confessa Everton sobre a temática que gira em torno das canções do disco.

10. Colt Cobra, Raw Trash Blues

Composta por Alexandre Brunoro (voz e baixo), Rafael Almeida (guitarra) e Francisco Wyatt (bateria) a Colt Cobra é uma banda vila-velhense que toca um blues embriagado nos tons mais sujos do fuzz. Sua estreia aconteceu no ano de 2014, quando abriram caminho com o seu EP Blues Punk.

No dia 13 de Março de 2017, a banda compartilhou seu primeiro álbum de estúdio, o venenoso Raw Trash Blues. Assim como boa parte das melhores pedradas independentes de Vila Velha dos últimos anos, o registro foi gravado no estúdio Comanche Recording Company. Apresenta quatorze faixas encorpadas e agressivamente selvagens que presenteiam o ouvinte com uma sonoridade vintage em tons deliciosamente modernos.

11. Whatever Happened to Baby Jane, Inferno de Vida

A Whatever Happened to Baby Jane originou-se de um desabafo feito pela vocalista e guitarrista Lorena Bonna em seu perfil no Facebook em Abril de 2016. Sua mensagem foi simples e direta: “O que me grita aos olhos é que tá na hora da cena punk feminista voltar. Alguma mina afim de fazer um som?” Após Ignez Capovilla (voz e baixo) e Vanessa Labuto (voz e bateria) responderem ao chamado virtual, a banda estava formada. Adotou então um nome em forma de um trocadilho com o título do livro e filme What Ever Happened to Baby Jane? e lançou seu EP de estreia pela Läjä Records no dia 21 de Julho de 2017.

Com quatro músicas gravadas no Comanche Recording Company — “Sábado à Noite”, “Deixa Ela Em Paz”, “Blablablah” e “Sister” —, Inferno de Vida (quem nunca praguejou essa expressão num daqueles dias em que tudo dá errado?) tem exatos seis minutos e quarenta e seis segundos. Do início ao fim, o EP é uma incessantemente prazerosa sessão masoquista de deliberados chutes nos rins e duros ganchos no estômago. Tendo dito isto, recomendamos ouvi-lo várias vezes seguidas! “[A crítica] é subjetiva. A gente trabalha muito com isso, com a subjetividade, porque também rola a emoção. O que está acontecendo com a gente é porrada mesmo e a gente acaba jogando ali. Não tem como,” confessa Lorena sobre a natureza expurgativa das composições.

12. Zé Maholics, Zé Maholics

O Zé Maholics é uma banda que se formou em Abril de 2016 na cidade de Vitória. Fervorosos discípulos daquele groove endiabradamente sexy, o grupo é composto por Vinicius Braga (voz e gaita), Guilherme Bozi (guitarra), Guilherme Schwartz (baixo), Rodrigo Nogueira (teclado e violão) e Enzo Toniato (bateria).

Seu primeiro álbum, Zé Maholics, foi lançado no dia 11 de Abril de 2017. Apresenta seis belas canções produzidas por Leonardo Bortolini que compreendem pouco mais de trinta minutos: “What You Funk”, “High”, “Trick”, “Shake Your Bones”, “Macaco Politizado” e “Gaivotas”. A combinação destas músicas reflete muito bem todo o trabalho duro que a banda investiu em suas incansáveis horas de sessões de jam em busca de uma forma de capturar tudo o que exala tão graciosamente em suas performances. Elas fazem você querer dançar, transar, correr, pular, gritar, chorar e começar tudo de novo — como todas as boas músicas deveriam fazer! “Foi iradíssimo demais, porque a gente fez a parada acontecer com sonzeira,” orgulha-se o guitarrista Bozi.

Texto: João Depoli; Foto de capa: Open Spotify e Reprodução/Youtube.

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